Sábado, 21 de Janeiro de 2012

 

Auto da Criação do Mundo

 Fonte: Camara Municipal do Mogadouro

 

O "Auto da Criação do Mundo" é uma peça de teatro que costumava ser representada quando não havia a tradicional Missa do Galo em Urrós, no Concelho de Mogadouro. Trata-se de uma peça que junta o velho  e o novo testamento em 850 quadras e é representada em seis atos, durante três horas. Não foi fácil recuperar os versos originais que com o tempo se perderam. Contudo, sem baixar os braços ou desanimar, procuraram-se testemunhos de quem há 64 anos participou na última representação desta peça. O senhor Fernando, o Adão deste Auto, sabia as quadras quase todas e disponibilizou-se para ajudar na reconstrução da peça.

 

Este trabalho é notável, não pela qualidade artística, mas pelo facto de envolver toda a população de Urrós e arredores na recriação desta peça. Esta união e a vontade manifestadas por aqueles que, vivendo e trabalhando fora de Portugal, se juntaram a esta causa nobre é de louvar e deveria ser seguida noutros pontos do país. Devemos preservar e cuidar das nossas tradições, participando, partilhando e dando-as a conhecer ao mundo.

 

"O Auto da Criação do Mundo" será publicado no verão, resultado de uma parceria da Câmara Municipal de Mogadouro e a Âncora Editora, para que fique registado e não se volte a perder. Ficamos a aguardar.

 

 

 
 
Boas leituras e melhores descobertas!

 


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publicado por Paula às 14:39
Domingo, 01 de Janeiro de 2012

 

 

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Ninguém adivinha como falar cansa. Falar por ser obrigado a falar. No início, seca-se a boca. Depois é a saliva, como ao beber de uma poça da berma do caminho e sentimos a areia do fundo a avisar a língua de que a água se acaba. Aperta-se o estômago como a preparar-se para um murro, seco como se dele nascessem as palavras, fantasmas que ganhassem vida ao roçar pela garganta.

 

É assim que começa "Tempo de fogo", o primeiro romance de Amadeu Ferreira, autor de várias obras em mirandês e traduções para a segunda língua de Portugal. Nascido em 1950, em Sendim, no Concelho de Mirando do Douro, Amadeu Ferreira é, no presente, Vice-presidente do Conselho Directivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Presidente da ALM - Associaçon de Lhéngua Mirandesa e Professor Convidado da Universidade Nova de Lisboa.

 

A sua dedicação ao mirandês é mais conhecida sob a capa do pseudónimo de Fracisco Niebro. Em homenagem e em nome da preservação da sua primeira língua, publicou vários livros de poesia, contos infantis, passando, ainda pela banda desenhada. Entre eles, destacam-se, Cebadeiros e Por dentro dos calos - os meus favoritos -, L Segredo de Peinha Campanha, com ilustrações de Sara Cargueiro, ou a tradução de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões.

 

Este primeiro romance foi escrito de uma assentada, por assim dizer. Em conversa com o autor, fiquei a saber que o ponto de partida para este livro resultou de uma pesquisa no âmbito do mirandês. A descoberta de documentos do Tribunal da Inquisição e, em particular, a história de um frade que é condenado à fogueira acenderam o rastilho para a criação deste magnífico romance. Muitos dos personagens que fazem parte desta trama existiram, e alguns factos são verídicos, mas a construção do enredo é da autoria de Amadeu Ferreira.

 

Este romance leva-nos numa viagem ao norte do país, em finais do século XVI e início do século VXII. Vivem-se tempos sufocantes, de denúncia, ameaça de prisão, perseguições permanentes que culminam num clima de grande incerteza e insegurança. A Inquisição goza de grande poder e está implementada em toda a Península Ibérica. A mentira passeia pelas ruas (da aldeia) como sincelo que até a alma congela, tudo devido ao pavor que se assentou nos poiais como um fantasma. Em boa verdade, cada qual pensa que se salva por acusar os outros, mas têm (sido) todos a eito arrastados pelos longos caminhos até à mesa da Inquisição de Coimbra. O desinteresse passou a habitar as casas e ninguém quer saber de ninguém. Os pais pensam que é melhor acusar os filhos e estes os pais.

 

É neste ambiente que conhecemos Frei António. No seu íntimo sabe a sentença que o espera. O passado que lhe parecia tão distante, volta agora para o atormentar e para lhe ditar a sorte. No caminho, conhece Laurinda, uma mulher esmagada pelo sofrimento causado pela perda do marido que logo após o casamento é assassinado, e  que todos dizem estar possuída pelo demónio. Por vergonha e ignorância, a família guarda-a como um animal.

 

A língua aparece como um modo de curar, mas também como castigo, quase uma maldição, pressentindo-se as dificuldades no confronto das línguas presentes: o português, o castelhano e o leonês/mirandês.

 

Três séculos depois, um professor primário resgata um manuscrito onde aquele frade tentou escrever, na prisão, um tratado das artes de curar pela fala, fazendo comentários relativos à sua prática e continuando a questionar-se sobre o sentido da vida e o problema de Deus.

 

Ao ler este romance, temos a sensação de estar diante do testemunho que alterou e marcou a maneira de ser dos portugueses até aos dias de hoje. Está escrito de forma simples e fluída e a engrenagem das situações e das personagens embarcam o leitor numa leitura ávida e entusiasta . É obrigatório lê-lo.

 

Ficamos a aguardar pelo próximo.

 

Boas leituras!

 

 

 



publicado por Paula às 12:42
Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

 

Há pessoas que têm uma aura leve, brilhante e boa. Na sua presença tudo se ilumina e uma certa paz parece reinar. É verdade! Há pessoas com este poder mágico. É um poder que se nota assim que entramos num espaço onde esteja presente essa figura singular. 

 

No dia 19 de Dezembro, tive a feliz oportunidade de assistir ao lançamento e de conhecer a autora do livro "Velocidade Colher - Entre Tachos e Bimby" e do blogue "No soup for you", a Susana Gomes.  

 

 

A Susana tem a serenidade de quem está de bem com a vida. Sente-se essa energia positiva não só na sua presença como através do seu blogue. Para o seu livro, conseguiu transpor receitas deliciosas e acessíveis a todos e, ainda, a verdadeira receita da amizade e da felicidade. Passar os olhos por este livro é como empreender uma viagem ao que de melhor o ser humano tem. Encontramos frases que definem a amizade de uma forma simples, correcta e certeira. Ao folheá-lo, sorrimos, quase sem querer, de agradecimento por aquele trabalho e por aquelas palavras tão bem escolhidas com as quais nos identificamos. Muitas vezes é assim que acontece. Vimos reflectidas nas palavras de outros as nossas que, por timidez ou fruto de certa educação, não conseguimos sequer escrever, quanto mais pronunciar.  De facto, como dizia alguém há uns dias, a Susana é "uma menina muito especial" e especial é também este seu primeiro trabalho.

 

Ao longo do livro deparamo-nos com testemunhos de uma vida feliz e de uma pessoa que sabe valorizar e respeitar os outros. Para a Susana, a amizade é como um cordel infinito. Descoberta  a ponta, há uma vida inteira para desenrolar. Mesmo quando a correria do quotidiano nos rouba o tempo, essa ausência é serenada com um cordel. O cordel que nos dá a certeza de que a amizade vai persistir, como um tiquetaque que pulsa enquanto os dias passam e embala essa cumplicidade tão autêntica entre amigos. E quando chega a hora de sentar à mesa com gargalhadas e boa conversa, ofereço(emos) o sabor do carinho em troca de alegria.

 

Quando procuramos a receita de um bolo de chocolate ficamos a saber que quando a vida nos sorri, sabe certamente a chocolate! É o sabor dos encontros marcados, das amizades e devaneios partilhados. Desenha-se um sorriso no nosso rosto ao imaginarmos o nosso bolo a ser partilhado com aqueles que nos são queridos.

 

Este é, realmente, um livro de carinho e de boas energias. Quer se goste de cozinhar quer não, vale a pena tê-lo por perto para folhear a qualquer hora.

 

 

Boas leituras!

 



publicado por Paula às 22:23
Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

 

O jornal "Público" dá-nos a conhecer uma interessante teoria sobre a causa da morte de Jane Austen por envenenamento (involuntário) com arsénico. Apesar de não confirmada, parece-me coerente. Leia a notícia completa aqui e veja também o interessante comentário de uma leitora sobre a composição do papel de parede de cor verde utilizado na época da escritora.



publicado por Paula às 13:04
Quarta-feira, 02 de Novembro de 2011

No próximo dia 12 de Novembro, sábado, às 16h30, decorrerá o lançamento do livro "Ls Quatro Eibangeilhos", de  Amadeu Ferreira. Trata-se de uma tradução para mirandês de uma parte do chamado "Novo Testamento".

 

Mesmo para quem não aprecia o género bíblico, ou não tem crenças religiosas, valerá a pena passar pela Livraria Ferin, na Rua Nova do Alamada, n.º 70, em Lisboa, para saber ou aprender um pouco sobre a segunda língua falada em Portugal, o mirandês.

 

Aqui fica o convite.

 

Boas leituras e melhores descobertas.


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publicado por Paula às 13:40
Domingo, 07 de Agosto de 2011

 

Jane Austen é uma escritora do período romântico da literatura inglesa. Nasce a 16 de Dezembro de 1775 e morre a 18 de Julho de 1817. Durante a sua vida escreveu seis romances, todos eles adaptados várias vezes para o cinema e televisão. Está enterrada na catedral de Winchester.

 

 

Os primeiros passos na escrita deram-se com contos burlescos de ficção que ficariam conhecidos como Juvenilia. A primeira publicação dar-se-ia em 1811 com Sensibilidade e Bom Senso (inicialmente Elinor e Marianne), escrito em 1795. Seria com Orgulho e Preconceito, publicado em 1813, que Jane Austen obteria algum êxito. Esta obra foi escrita em 1796-7 com o título inicial de First Impressions. Seguir-se-ia, em 1814, O Parque de Mansfield, a obra que menos consenso reúne. Em Dezembro de 1815 é publicado Ema, com data de 1816, dedicada, a seu pedido, ao príncipe regente. Esta obra recebe publicamente críticas favoráveis. Em 1816, a saúde Jane Austen começa a deteriorar-se. Nesta altura a escritora está a trabalhar em Persuasão, obra que já não chegaria a rever. E aqui reside parte do seu encanto. Com a saúde debilitada, a autora escreve de uma assentada um excelente romance.

 

Persuasão dá-nos a conhecer aquela que é considerada a heroína mais notável de Jane Austen. Como ela própria confidenciaria a sua irmã Cassandra, "ela é quase demasiado boa para mim". Anne Elliot é a heroína mais amadurecida da sua obra. Neste livro, a autora coloca para segundo plano o seu tom crítico e satírico que caracterizam as obras anteriores e leva-nos numa viagem de afectos profundos, duradouros e constantes.

 

Anne Elliot é a segunda filha de Sir Walter Elliot, um homem abastado e vaidoso que nada mais vê do que a sua posição social e a beleza física das pessoas. Ao contrário, Anne é uma rapariga afável, inteligente e bondosa que aos dezanove anos se apaixona por Wentworth. O amor é recíproco. Contudo, Anne é persuadida a terminar o noivado devido ao facto de ser muito nova e por Wentworth não ter posição social nem fortuna para a sustentar. Passam-se oito anos desde o último encontro, sendo que agora as posições no que à fortuna diz respeito estão ligeiramente invertidas, e Wentworth ainda não perdoou Anne pela sua fraqueza. Vários acontecimentos decorrerão até que tudo possa ser explicado e perdoado. A constância dos sentimentos, a maturidade e personalidade de ambos são características que tornam este livro apetecível, na medida em que revelam um grande conhecimento do comportamento humano. Bem escrito e cuidado, este é um clássico para ter na estante, merecendo mais do que uma leitura.

 

 



publicado por Paula às 20:06
Terça-feira, 19 de Julho de 2011

 

La bouquiniste é um blogue inteiramente dedicado aos livros. Não, não vou vender livros. Vou ler livros novos e velhos. E vou aqui partilhar as minhas  impressões sobre eles.

 

Dou, agora, início a uma viagem pelo mundo da leitura, sem mapa, sem direcções, simplesmente ao acaso.

 

Até já!


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publicado por Paula às 18:36
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